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2010.03.15 15:21:47

BELO HORIZONTE, QUARTA-FEIRA, 3/3/2010 HOJEEMDIA

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Escola adere à criação

Além da Fundação Torino, 35 empresas mineiras compraram o aparelho

FUNDAÇÃO TORINO

O aparelho está sendo bem recebido por alunos e professores.

A intenção da escola é instalar a inovação em todas as salas que não têm janelas amplas

Por enquanto, a empresa de Marcos Menicucci, a Renovar, angariou muitos clientes para exaustores movidos a energia solar, mas sem a tecnologia que permite o funcionamento à noite, graças à energia elétrica. O sistema de ventilação que envolve exaustores e insufladores híbridos (a fonte de energia usada varia de acordo com a necessidade do momento) estão sendo aplicados de forma pioneira na Fundação Torino, escola localizada no Belvedere, em Belo Horizonte.

Na instituição de ensino, os alunos se depararam com a nova ventilação no primeiro dia de aula de 2010. Três salas de aula ganharam um exaustor e um insuflador movidos a energia solar, em dias ensolarados, e a energia elétrica em dias nublados e à noite. Como a idéia está sendo muito bem recebida por alunos e professores, a intenção da instituição de ensino é instalar a inovação em todas as salas que não possuem amplas janelas.

“O ar-condicionado não é aconselhado para salas de aula porque afeta a qualidade de vida dos professores, que podem ficar com as cordas vocais prejudicadas. Por isso, precisamos investir em soluções diferentes para a ventilação de nossos ambientes”, explica o diretor administrativo da Fundação Torino, Magno Brás. Segundo ele, a quadra e o refeitório já contavam com exaustores eólicos e uma manta térmica no telhado, que permitiam que a temperatura desses locais pudesse ser resfriada em até 7º C.

Projeto auxilia educação ambiental

De acordo com Brás, a instalação do equipamento de ventilação movido a energia limpa faz parte de um projeto maior da Fundação Torino que procura viabilizar iniciativas sustentáveis no ambiente escolar. O Econscienza faz referência aos conteúdos da Educação Ambiental, sem se limitar ao simples estudo do meio ambiente, mas com ações que promovem mudanças de atitudes e de comportamento em nível individual e coletivo.

Com o projeto, a instituição aderiu à coleta seletiva de papel, latinhas e se tornou um dos pontos de recolhimento de baterias, pilhas e óleo de cozinha usado da região do Bairro Belvedere. Os setores administrativos também assumiram uma nova postura utilizando papéis reciclados e diminuindo a quantidade de materiais impressos. “Temos várias ações de conscientização dos alunos sobre o meio ambiente. Nossas lixeiras, por exemplo, são feitas de galões de 20 litros de água que perderam sua vida útil. São ações que precisam da colaboração dos alunos e eles realmente compraram a idéia”, conta o diretor.

Na escola, há expectativa de que o novo sistema de ventilação traga muitas contribuições para a educação formal dos alunos. O engenheiro Marcos Menicucci instalou, recentemente, nos jardins da Fundação Torino uma fonte de água feita de pedra sabão movida a energia solar. Assim, os estudantes poderão conferir de pertinho como funciona a geração de energia pela luz do Sol. Além disso, as placas poderão ser ligadas em série e em paralelo, mostrando na prática como funciona um sistema elétrico simples.

“Isso pode auxiliar em uma aula de física, química ou, até mesmo, geografia, se abordar como a região de Belo Horizonte é uma das áreas de maior incidência de luz solar no Brasil. Isso faz parte da nossa proposta de interdisciplinaridade”, diz Brás.

Engenheiro quer criar mais produtos

Segundo Marcos Menicucci, a tendência do mercado é a ampliação da utilização da energia solar. Os ventiladores, que funcionam graças à eletricidade gerada com as placas de silício, por exemplo, não precisam de geradores e turbinas. Por não poluírem nem agredirem o meio ambiente, serão procurados pelas empresas que prezam pela responsabilidade socioambiental.

“Existe um projeto de lei que permite que a pessoa que possui placas de silício em suas casas possa vender a energia adquirida com a luz solar para a concessionária local, no nosso caso a Cemig. Esse valor poderia ser abatido da conta de luz. Imagina só se todo mundo tivesse placas em seus telhados? A luz do sol está aí para ser usada à vontade”, diz o engenheiro.

Segundo Menicucci, o sucesso de um projeto movido a energia solar está na associação com a energia elétrica, para que o consumidor não se sinta prejudicado em dias chuvosos. “O que encarece um projeto de energia solar é o armazenamento da eletricidade, pois é complexa e cara a instalação de uma bateria. O ideal é que a energia apreendida com a luz do Sol seja aproveitada imediatamente. Por isso, é tão interessante o projeto de lei que pretende permitir a venda de energia para a Cemig. As pessoas investiriam apenas nas placas, não em baterias”

O sucesso dos exaustores movidos a energia solar é tão grande que, em um ano e meio, 35 empresas mineiras (entre indústrias, escolas e igrejas) adquiriram o produto e, algumas delas, voltaram com a intenção de ampliar o projeto de ventilação. “Instalei cinco exaustores no prédio de um cliente e, logo depois, ele voltou querendo mais dez”, conta Menicucci.

O engenheiro diz ainda que seu produto pode inspirar novas idéias que envolvam energia limpa, principalmente quando fizer um maior contato com pesquisadores de universidades. “Há muitas pessoas desenvolvendo projetos de produtos movidos a energia limpa. Os próprios clientes podem me dar sugestões de melhoramentos para os exaustores movidos à energia solar”, diz.



Referências:

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